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É com imensa alegria que a Comissão Editoral do PPGECT: Clayton Barbosa Ferreira Filho, Dionia Eli Dorneles, Maíra Caroline Defendi Oliveira, Roberth De-Carvalho e Suellen Souza Fonseca compartilha com todes o link para acesso ao ebook  Resistir, (re)existir e (re)inventar a educação científica e tecnológica (organização Suzani Cassiani e Irlan von Linsingen), lançado no dia 13/08/2019. O livro é composto por 15 artigos divididos entre 3 seções: LINGUAGENS E ENSINO-APRENDIZAGEM EM CIÊNCIAS; (TRANS)FORMAÇÃO DE PROFESSORXS; LITERATURA E ENSINO DE CIÊNCIAS e marca os 15 anos do grupo DICITE (Discursos da Ciência e da Tecnologia na Educação/UFSC). Congrega pensamentos e afetos de muitas gentes que, a partir de diferentes perspectivas, compartilham formas outras de pensar/propor/praticar a educação científica e tecnológica. 💗💗💗💗💗💗💗💗💗💗 Se o mundo ficar pesado Eu vou pedir emprestado A palavra poesia Se o mundo emburrecer Eu vou rezar pra chover P...

Algo me deixa inquieto

Algo me deixa inquieto. Eu sou professor de Sociologia no ensino médio de uma escola estadual em um pequeno município do Vale do Itajaí. Na cidade os moradores mais antigos e seus familiares mais jovens se orgulham de sua descendência predominantemente alemã. Na cidade também, os ditos “nativos” se orgulham da prosperidade movida pela força da indústria local. Os jovens, desde cedo, contagiam-se com a atmosfera paralisante do trabalho precoce. Aprende-se que o trabalho e tão ou mais importante que a educação escolar. Com o advento da aprovação da reforma do ensino médio por via de uma medida provisória concebida pelo governo golpista de Michel Temer, uma nova realidade se impõe. Minha escola foi selecionada para ser uma “escola piloto” para a aplicação do novo ensino médio que, em suma, diminui a carga horária destinada aos conteúdos da BNCC e flexibiliza o currículo oferecendo aos estudantes opções de aprofundamento em itinerários formativos, sendo um deles, a formação técnica pro...

"Bota a cara pra morrer"

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TRATRATRATRAAAAAAA TRATRATAAAATRAAAAAA Rajadas de tiros. Mais tiros... Muitos... Cruzavam riscos vermelhos de um lado para o outro. No dia seguinte o mais do mesmo. Outro corpo jogado no lixo da descida da ladeira. Às vezes não tinha corpo. Eram pedaços, partes disformes que poderiam ser braços e pernas. Lembro do homem, meio roxo, meio preto, sem cabeça. Uma desova feita pela madrugada e exposta em plena luz do dia. Já não me chocava. Antes eu olhava com curiosidade misturada com medo. Depois passava tranquilamente apenas evitando aquele lado direito da rua quando descia para ir à escola. Antes eu achava que eram bandidos. Diziam que era guerra entre facções e que os caras do outro morro tinham tentado invadir. Se deram mal.  Só vim a entender o que acontecia ali depois que sai de lá e vim morar perto de outro morro. Um pouquinho mais afastada com o status agora de quem não tá no pé da favela. O distanciamento da violência sentida nos ouvidos com ...

Um dia comum…

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              Aquela noite iniciava como de costume, nada de novidade, mesmo assim o coração acelerado e no estômago o vazio de sempre. Por mais simples e corriqueira que a atividade fosse, ansiedade e insegurança se faziam presentes como um molde que caracteriza atividades dignas de remuneração. Fiz tudo como de costume, cheguei uma hora antes, o prédio grande repleto de grades estava quente, silencioso e com algumas grades trancadas dividindo o espaço possível de ser utilizado, fora do horário normal de aulas. Nesse horário mal se podia imaginar que crianças correm e gritam por esses mesmos corredores o dia todo, facilmente poderia ser confundido com uma fabrica a não ser por uns poucos trabalhos dependurados nas paredes e pelas salas, que vazias de pessoas, parecem (maiores do que são com carteiras e cadeiras enfileiradas.             O cheiro de comida sendo preparada invadia os corredores...

"O céu vai cair e vai acabar tudo."

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(...) O tempo ocidental é o tempo da produção, do acumulo, da riqueza, do futuro. (...) O tempo indígena, no entanto, é o tempo da natureza e a natureza, como dizia Charles Darwin, não dá saltos – Natura no facit saltus , ele dizia. É o mesmo que dizer que a natureza segue uma lógica que responde às suas próprias necessidades. O tempo do corpo é o tempo da natureza. Respeitar este tempo é oferecer ao corpo tudo o que ele precisa para viver com equilíbrio. Assim, o corpo segue o tempo de suas necessidades obedecendo a circularidade que a própria natureza lhe desperta. Vale lembrar que ao refletirmos sobre isso nos colocamos dentro da natureza como parte dela. É assim que os indígenas se sentem em suas diferentes formas de humanidade. (MUNDURUKU, p.2, sd).   Como professor de história da rede pública da educação básica, sempre iniciei minhas aulas com indagações para a turma – fossem elas do 6° ano do EF II ou 3º ano do EM – sobre o que é História, mito, fontes históricas, nar...
Algumas reflexões sobre estudos decoloniais e audiovisuais Marinilde Tadeu Karat Confesso que tive uma grande resistência em fazer essa disciplina e que não conseguia perceber qualquer aproximação dos estudos decoloniais com a pesquisa que estou fazendo no doutorado. Quando me inscrevi na disciplina tinha lido uns dois ou três artigos que a minha orientadora recomendou e participado de uma disciplina de 3 dias durante um evento do programa de pós-graduação. Durante a disciplina tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre essa literatura e através das leituras e discussões realizadas com professores e colegas, pude perceber a importância de conhecer esse referencial e entender que mesmo que ele não seja um dos referenciais teóricos da minha tese, é um referencial importante para minha formação como pesquisadora na área de educação científica e tecnológica.  O objetivo geral da minha pesquisa é compreender os sentidos sobre ciência e tecnologia produzidos por professor...

Post ainda sem título...

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É tempo de escrita. Sistematizar as reflexões produzidas a partir da disciplina e, mais que isso, estabelecer relações, potencializar outros pensamentos, narrativas e possibilidades de (re)ver a mim mesmo sempre foi um movimento que percebi. Este texto, em alguma medida, faz isso. Ao longo da minha trajetória como professor de Biologia, que em abril de 2019 completou 12 anos, em diversos espaços educativos me percebi construindo uma identidade docente. Que mudou, e mudou novamente, e outra vez, e de novo... Um constante (re)pensar naquilo que eu acreditava e fazia. Eis que ao longo desse processo me questiono se - de fato - aquilo que eu desenvolvia em aula era mesmo Biologia. Foi então que ao encontrar os estudos decoloniais eu consegui (re)conhecer aquilo que estava fazendo a partir de um suporte teórico. Pensar a partir de um ensino outro, que pensa o ensino de Biologia desde outro ponto de partida parece ter potencial, no meu entender, para contribuir em questões que jul...